Tipos de visto para Portugal: qual é o certo para o seu perfil?
Não existe “o visto”. Existem vários, cada um pensado para um perfil diferente. Entenda as opções e identifique por onde o seu processo deve começar.
- Visto D1: trabalhadores contratados e gestores
- Visto D2: empreendedores, autônomos e prestadores
- Visto D3: profissionais altamente qualificados
- Visto D4: estudantes e investigadores
- Visto D6: reagrupamento familiar
- Visto D7: aposentados e renda passiva
- Visto D8: acompanhamento familiar
- Visto D9: nômades digitais
- Como escolher o visto certo
- O que mudou em 2026
A primeira coisa que todo brasileiro descobre quando começa a pesquisar sobre morar em Portugal é que não existe “o visto”. Existem vários, cada um para um perfil diferente.
Quem trabalha com contrato vai por um caminho. Quem é autônomo, por outro. Quem tem renda passiva, por um terceiro. E escolher errado não é só perder tempo, é recomeçar do zero.
Este artigo é o ponto de partida para você entender o que existe e identificar por onde o seu processo deve começar.
Primeiro, é importante definir que visto é um documento que habilita a entrada em território nacional, e por isso deve ser pedido em consulado.
Para os brasileiros, os dois vistos mais importantes são os vistos de estada temporária, que permitem ficar em Portugal por até um ano, e os vistos de residência, que permitem ficar em Portugal por tempo superior a um ano.
Para quem quer morar em Portugal, o caminho é sempre o visto de residência. É sobre eles que este artigo fala.
Os vistos de residência são identificados pela letra D seguida de um número. Cada número corresponde a um perfil diferente de imigrante.
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Para trabalhadores contratados e gestores
O D1 é o visto para quem vai trabalhar em Portugal com vínculo empregatício. É um dos vistos mais diretos em termos de lógica: existe uma empresa portuguesa, existe uma vaga, existe você. A diferença em relação a outros vistos é que você chega ao país com uma fonte de renda garantida e todos os direitos de um trabalhador residente desde o primeiro dia.
Ele cobre dois perfis. O primeiro é o trabalhador em regime subordinado, ou seja, qualquer profissional contratado por uma empresa portuguesa para exercer uma função. O segundo é o cargo de gestão: quem vai assumir função de gerência ou direção. Em ambos os casos, a relação de trabalho precisa ter duração mínima de 12 meses, podendo ser demonstrado através de uma promessa formal de contratação assinada pela empresa. E o próprio salário, que precisa respeitar o salário mínimo português, serve como prova de subsistência perante o consulado, sem necessidade de depósito bancário separado.
Um detalhe importante: todo o processo precisa começar no Brasil. Não é possível chegar em Portugal como turista e tentar regularizar a situação depois; essa é a premissa atual para todos os vistos.
Para empreendedores, autônomos, prestadores de serviços e start-up
O D2 é o visto do trabalho independente, mas ele cobre três perfis diferentes, e entender em qual você se encaixa faz toda a diferença no processo.
O primeiro é o empreendedor: quem vai abrir, expandir ou adquirir um negócio em Portugal. Esse perfil exige um plano de negócios estruturado que demonstre a viabilidade do projeto, além de depósito equivalente a 12 meses do Salário Mínimo Nacional em uma conta bancária portuguesa.
O segundo é o prestador de serviços, que vai atuar pelo regime de Recibos Verdes, o equivalente português ao profissional que emite nota fiscal por serviço no Brasil. Aqui há um detalhe importante: se você já tem um contrato assinado, precisa abrir atividade nas Finanças antes de dar entrada no visto. Se tiver apenas uma promessa de contrato, essa abertura não é exigida antecipadamente.
O terceiro é o profissional liberal, como advogado, médico, engenheiro ou arquiteto, que vai exercer sua profissão de forma independente em Portugal. Nesse caso, o foco do processo está na comprovação da habilitação profissional e na demonstração de que existe mercado para sua atuação no país. Além disso, é necessário realizar o depósito correspondente a 12 meses do SMN em uma conta portuguesa.
Há ainda um quarto perfil dentro do D2: a Startup Visa, destinada a empreendedores com projetos inovadores que tenham potencial de impacto econômico em Portugal. Esse caminho passa por uma análise mais complexa, que envolve a avaliação do projeto por entidades portuguesas credenciadas. Por ter especificidades que exigem acompanhamento próximo, o Simplifica Portugal atende esse perfil exclusivamente pelo serviço de Orientação Total.
Para profissionais altamente qualificados e docentes
O D3 também é um visto de trabalho com vínculo empregatício, mas com critérios mais específicos do que o D1. Ele cobre dois perfis distintos, e o processo de cada um tem suas próprias regras.
O primeiro é o de atividade altamente qualificada, voltado para profissionais especializadas, como por exemplo tecnologia, engenharia, saúde e gestão. Para esse perfil, a qualificação pode ser comprovada por diploma de ensino superior ou, no caso de profissionais de tecnologia, por pelo menos 5 anos de experiência técnica especializada. O contrato ou promessa de trabalho precisa ter duração mínima de 1 ano, e o salário deve ser de no mínimo 3 vezes o valor do IAS, o Indexante dos Apoios Sociais, que é o valor de referência do governo português atualizado periodicamente. Um detalhe que gera dúvida: o cargo precisa ser reconhecido formalmente como de alta qualificação, e um enquadramento errado é uma das causas mais comuns de recusa.
O segundo perfil é o docente, destinado a professores e investigadores que vão atuar em instituições de ensino superior ou centros de investigação reconhecidos pelo governo português. Esse perfil tem um processo diferenciado e aceita não só contrato ou promessa de trabalho, mas também um convite formal da instituição. Em qualquer caso, o documento precisa deixar explícito a função, o local de atuação e a duração do vínculo. Se algum desses três elementos estiver ausente ou vago, o processo trava.
Existem ainda outros perfis dentro do D3 que o Simplifica Portugal atende exclusivamente pelo serviço de Orientação Total: atividades culturais e cargos de direção em grandes corporações, para quem vai a Portugal para o exercício de função em organização religiosa reconhecida. Esses caminhos são menos comuns e têm especificidades que exigem uma análise mais personalizada, por isso não estão disponíveis no autoatendimento.
Vale notar que o D3, em todas as suas modalidades, é isento do pagamento de taxa consular, o que representa uma economia relevante no custo total do processo.
Temos um artigo completo só sobre o D3 aqui no blog.
Para estudantes, investigadores, estagiários e voluntários
O D4 é o visto para quem vai a Portugal com um vínculo formal a uma instituição de ensino, pesquisa ou programa reconhecido, por período superior a um ano. Ele cobre cinco situações distintas, com requisitos diferentes para cada uma.
O perfil mais comum é o de ensino superior: graduação, mestrado ou doutoramento. Para esse caminho, o documento central é o comprovante de matrícula ou a carta de aceitação da instituição portuguesa. Além disso, é preciso comprovar meios financeiros para se manter durante os estudos, seja por recursos próprios, bolsa de estudos ou termo de responsabilidade. A moradia também precisa ser comprovada, com contrato de aluguel, carta de residência universitária ou termo de um anfitrião. Um detalhe útil: o D4 de ensino superior permite trabalhar em Portugal dentro dos limites legais de carga horária. O processo precisa ser iniciado no Brasil, antes do embarque, e o ideal é começar assim que chegar a carta de aceite, porque os prazos universitários não esperam.
O segundo perfil é o de investigação científica, para quem vai desenvolver pesquisa em centros reconhecidos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal. Aqui, o documento essencial é a carta de acolhimento da instituição, e sua redação precisa ser precisa: qualquer imprecisão no texto pode gerar pedido de complementação pelo consulado e atrasar o processo. É necessário também comprovar financiamento, seja por bolsa ou por meios próprios.
O terceiro perfil é o intercâmbio do ensino secundário, para estudantes que vão cursar o ensino médio em Portugal. Esse é o caminho que exige mais atenção dos pais, porque envolve a documentação de um menor. Se o aluno viaja desacompanhado, é obrigatório apresentar autorização dos responsáveis com firma reconhecida e a indicação de um tutor legal em Portugal. A escola precisa ser reconhecida pelo governo português, e a moradia precisa estar comprovada, seja em família de acolhimento, residência escolar ou com familiares residentes.
Existem ainda dois outros perfis dentro do D4 que o Simplifica Portugal atende pelo serviço de Orientação Total: estágio profissional e voluntariado. Ambos exigem vínculo formal com o programa ou organização responsável e têm especificidades que requerem uma análise individualizada.
Para reagrupamento familiar
O D6 é diferente do Acompanhamento Familiar. Ele é para quem já está legalmente residente em Portugal e, só depois de estabelecido, quer trazer cônjuge ou filhos dependentes que ficaram no Brasil. Ou seja: o titular já mora lá, e a família vem depois.
Para que os dependentes possam solicitar o D6, o titular precisa já ter a sua autorização de residência em Portugal. O processo começa do lado português: o titular solicita à AIMA a notificação de deferimento do reagrupamento familiar, que é o documento que autoriza formalmente a vinda dos dependentes. Só com essa notificação em mãos é que os dependentes podem dar entrada no visto no Brasil.
Os dependentes elegíveis incluem cônjuge ou parceiro de união estável, filhos menores de idade e, em algumas situações, filhos com até 24 anos ainda dependentes economicamente, além de outros dependentes legais reconhecidos pela legislação portuguesa. Cada perfil tem requisitos específicos de comprovação, e a documentação precisa estar em consonância com o status de residente do titular em Portugal.
Por envolver regras específicas que ainda estão em processo de definição a partir de mudanças recentes na legislação portuguesa, o Simplifica Portugal atende o D6 exclusivamente pelo serviço de Orientação Total.
Para aposentados e quem tem renda passiva
O D7 é um dos vistos mais procurados por brasileiros. Ele é destinado a quem tem renda comprovada fora de Portugal, como aposentadoria, aluguel de imóveis, dividendos ou outras fontes de rendimento que não dependem de trabalho ativo no país.
Em resumo: você recebe renda de fora, quer viver em Portugal e não precisa trabalhar por lá. O D7 foi feito para esse perfil.
O processo exige a comprovação de uma renda mensal mínima equivalente ao Salário Mínimo Nacional português e a existência de uma reserva financeira de pelo menos 12 meses desse valor em uma conta bancária em Portugal. Não existe um único tipo de renda aceito: aposentadoria, aluguéis, dividendos e outras fontes podem ser combinados para atingir o valor exigido, o que abre o visto para perfis variados de renda passiva.
Se você vai levar cônjuge ou parceiro, a renda exigida aumenta em 50% do SMN para cada adulto adicional. Para cada filho dependente, o acréscimo é de 30% do SMN. Esse cálculo se aplica tanto ao requisito de renda mensal quanto à reserva bancária, o que exige um planejamento financeiro cuidadoso antes de iniciar o processo.
Um ponto que gera dificuldade com frequência é a análise bancária. O consulado e a AIMA analisam os extratos com rigor: a origem de cada depósito precisa ser claramente identificável, os comprovantes de recebimento de aluguel ou de aposentadoria precisam estar consistentes com os valores apresentados, e qualquer incoerência pode resultar em pedido de complementação documental ou recusa. Organizar essa comprovação com antecedência é o que separa um processo tranquilo de um processo travado.
Acompanhamento Familiar: para quem vai junto com o titular
Se você tem cônjuge, filhos ou outros dependentes que vão se mudar para Portugal junto com você, eles podem solicitar o Visto D8 de Acompanhamento Familiar ao mesmo tempo que você solicita o seu visto principal. Não é preciso esperar chegar a Portugal para depois trazer a família.
São elegíveis para acompanhar o titular: cônjuge ou parceiro, filhos menores ou incapazes, filhos maiores solteiros que estejam estudando em Portugal e ascendentes que vivam sob dependência financeira do titular. Cada perfil tem critérios específicos de comprovação do vínculo e da dependência, e erros nessa documentação são uma das causas mais comuns de atraso no processo.
Do ponto de vista financeiro, o titular precisa demonstrar capacidade de sustentar os acompanhantes. Além do valor já exigido para o seu próprio visto, é necessário comprovar disponibilidade adicional de 50% do SMN para cada adulto acompanhante e 30% do SMN para cada criança. Essa comprovação pode ser feita por renda mensal ou por reserva bancária de 12 meses em conta portuguesa, dependendo do tipo de visto do titular.
Para nômades digitais
O D9 é para profissionais que trabalham remotamente para empresas ou clientes fora de Portugal. Se você tem emprego ou clientes no Brasil e quer morar em Portugal enquanto continua trabalhando para eles, este visto é o seu.
O requisito central é a comprovação de vínculo com entidades fora de Portugal, demonstrando que a atividade pode ser exercida totalmente à distância. Isso inclui tanto quem é empregado de empresa estrangeira quanto quem presta serviços para clientes fora do país.
Do ponto de vista financeiro, é necessário comprovar renda média mensal superior a 4 vezes o Salário Mínimo Nacional, calculada com base nos últimos três meses. Esse valor é mais alto do que o exigido para outros vistos de renda, e reflete o perfil diferenciado do público nômade.
Além disso, também se faz necessário depositar em conta bancária portuguesa um ano de meios de subsistência. Portanto, ambos os requisitos são cumulativos: salário e conta portuguesa.
Se você vai levar família, aplica-se a regra do Visto de Acompanhamento Familiar: +50% do SMN para cada adulto adicional e +30% do SMN para cada criança, tanto em relação ao salário quanto em relação à conta portuguesa.
Um ponto que costuma gerar dificuldade é a prova de vínculos: contratos com empresas estrangeiras, histórico de pagamentos recebidos do exterior e comprovação de residência precisam estar bem documentados e consistentes entre si. Qualquer lacuna nessa estrutura documental pode gerar um pedido de complementação.
Como escolher o visto certo para o seu perfil
A pergunta que todo mundo deveria fazer antes de qualquer outra é: qual é a minha situação hoje?
Você tem um emprego formal esperando por você? D1 ou D3. Você tem um negócio ou vai empreender? D2. Você trabalha remotamente para clientes fora de Portugal? D9 para nômades digitais. Você é aposentado ou tem renda passiva? D7. Você vai estudar ou fazer pesquisa? D4. Você quer levar a família junto? Solicite o D8 de Acompanhamento Familiar ao mesmo tempo que o seu visto principal. Você já está em Portugal e quer trazer a família que ficou? D6.
Parece simples quando está listado assim. O problema é que muita gente se identifica com mais de um perfil, ou tem uma situação que não se encaixa perfeitamente em nenhuma das opções. Nesses casos, escolher errado pode custar meses de processo.
O que mudou em 2026 e por que isso importa?
O pedido de visto agora precisa ser feito presencialmente na VFS Global, empresa credenciada pelo consulado português para receber os requerimentos no Brasil. Antes era possível enviar pelos Correios ou fazer ajustes depois do envio. Agora, a documentação precisa estar completa e coerente desde o primeiro momento.
O consulado passou a analisar o processo como um conjunto. Renda, moradia, tipo de visto e documentos precisam contar a mesma história. Qualquer incoerência pode resultar em recusa sem possibilidade de correção.
Na prática: o processo ficou mais exigente, e preparar tudo com cuidado antes de dar o primeiro passo nunca foi tão importante.
Outra mudança relevante diz respeito ao visto de procura de trabalho. A partir de outubro de 2025, essa modalidade deixou de existir nos moldes anteriores e todos os agendamentos previamente marcados foram cancelados. Em substituição, a legislação prevê um novo visto para procura de trabalho qualificado, voltado para profissionais com competências técnicas especializadas. No entanto, os pedidos para essa nova modalidade só poderão ser feitos após regulamentação por portaria governamental, e os requisitos específicos ainda não foram definidos. Quem está planejando se mudar para Portugal para buscar emprego precisa estar atento a essa mudança antes de iniciar qualquer processo.
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Conhecer o SimplificaResumindo
Portugal tem vários tipos de visto de residência, cada um pensado para um perfil diferente. Entender qual deles se aplica à sua situação é o primeiro passo, e o mais importante, de todo o processo.
Desde 2026, o processo exige documentação completa e coerente desde o início, apresentada presencialmente na VFS Global. Quer se aprofundar em algum visto específico? Temos artigos detalhados sobre cada modalidade aqui no blog.
