Tipos de visto para Portugal: qual é o certo para o seu perfil?
Não existe “o visto”. Existem vários, cada um pensado para um perfil diferente. Entenda as opções e identifique por onde o seu processo deve começar.
- Primeiro, uma distinção importante
- Visto D1: trabalhadores contratados e gestores
- Visto D2: empreendedores, autônomos e prestadores
- Visto D3: profissionais altamente qualificados
- Visto D4: estudantes e investigadores
- Visto D6: reagrupamento familiar
- Visto D7: aposentados e renda passiva
- Visto D8: acompanhamento familiar
- Visto D9: nômades digitais
- Como escolher o visto certo
- O que mudou em 2026
A primeira coisa que todo brasileiro descobre quando começa a pesquisar sobre morar em Portugal é que não existe “o visto”. Existem vários, cada um para um perfil diferente.
Quem trabalha com contrato vai por um caminho. Quem é autônomo, por outro. Quem tem renda passiva, por um terceiro. E escolher errado não é só perder tempo, é recomeçar do zero.
Este artigo é o ponto de partida para você entender o que existe e identificar por onde o seu processo deve começar.
Primeiro, uma distinção importante
Existem vistos de curta permanência, que permitem ficar em Portugal por até 90 dias, e vistos de longa permanência, os vistos de residência. Para quem quer morar em Portugal, o caminho é sempre o visto de residência. É sobre eles que este artigo fala.
Os vistos de residência são identificados pela letra D seguida de um número. Cada número corresponde a um perfil diferente de imigrante.
Os principais vistos de residência em Portugal
Para trabalhadores contratados e gestores
O D1 é o visto para quem vai trabalhar em Portugal com vínculo empregatício. É um dos vistos mais diretos em termos de lógica: existe uma empresa portuguesa, existe uma vaga, existe você.
Ele cobre dois perfis. O primeiro é o trabalhador em regime subordinado, qualquer profissional contratado por uma empresa portuguesa. O segundo é o cargo de gestão: quem vai assumir função de gerência ou direção, com contrato de duração mínima de 12 meses.
Você não precisa ter o contrato definitivo assinado antes de dar entrada no visto. Uma promessa formal de contratação já é aceita. Todo o processo precisa começar no Brasil, não é possível chegar como turista e regularizar a situação depois.
Para empreendedores, autônomos e prestadores de serviços
O D2 é o visto do trabalho independente e cobre três perfis principais:
Empreendedor: quem vai abrir, expandir ou adquirir um negócio em Portugal. Exige plano de negócios estruturado e depósito equivalente a 12 meses do SMN em conta bancária portuguesa.
Prestador de serviços: quem vai atuar pelo regime de Recibos Verdes. Se já tem contrato assinado, precisa abrir atividade nas Finanças antes de dar entrada no visto.
Profissional liberal: advogado, médico, engenheiro, arquiteto. O foco está na comprovação da habilitação profissional, e não é necessário o depósito de 12 meses do SMN.
Há ainda a Startup Visa, para empreendedores com projetos inovadores, atendida pelo Simplifica Portugal exclusivamente pelo serviço de Orientação Total.
Para profissionais altamente qualificados e docentes
O D3 também é um visto de trabalho com vínculo empregatício, mas com critérios mais específicos do que o D1. Ele cobre dois perfis distintos.
Atividade altamente qualificada: voltado para profissionais de tecnologia, engenharia, saúde e gestão. A qualificação pode ser comprovada por diploma de ensino superior ou, para profissionais de tecnologia, por pelo menos 5 anos de experiência especializada. O contrato precisa ter duração mínima de 1 ano e o salário deve ser de no mínimo 3 vezes o valor do IAS.
Docente: professores e investigadores em instituições de ensino superior ou centros de investigação reconhecidos pelo governo. Aceita contrato, promessa de trabalho ou convite formal da instituição.
O D3, em todas as suas modalidades, é isento do pagamento de taxa consular, uma economia relevante no custo total do processo.
Para estudantes, investigadores, estagiários e voluntários
O D4 é o visto para quem vai a Portugal com vínculo formal a uma instituição de ensino, pesquisa ou programa reconhecido, por período superior a um ano.
Ensino superior: graduação, mestrado ou doutoramento. O documento central é o comprovante de matrícula ou carta de aceitação. O D4 de ensino superior permite trabalhar dentro dos limites legais de carga horária.
Investigação científica: para pesquisa em centros reconhecidos pelo Ministério da Ciência. O documento essencial é a carta de acolhimento da instituição, qualquer imprecisão pode atrasar o processo.
Intercâmbio do ensino secundário: para estudantes do ensino médio. Se o aluno viaja desacompanhado, é obrigatório apresentar autorização dos responsáveis com firma reconhecida e indicação de um tutor legal em Portugal.
Para reagrupamento familiar
O D6 é para quem já está legalmente residente em Portugal e quer trazer cônjuge ou filhos dependentes que ficaram no Brasil. O titular já mora lá, e a família vem depois, é diferente do Acompanhamento Familiar (D8), que é solicitado ao mesmo tempo que o visto principal.
O processo começa do lado português: o titular solicita à AIMA a notificação de deferimento do reagrupamento familiar. Só com esse documento em mãos é que os dependentes podem dar entrada no visto no Brasil.
Por envolver regras ainda em processo de definição, o Simplifica Portugal atende o D6 exclusivamente pelo serviço de Orientação Total.
Para aposentados e quem tem renda passiva
O D7 é um dos vistos mais procurados por brasileiros. Destina-se a quem tem renda comprovada fora de Portugal, aposentadoria, aluguel de imóveis, dividendos ou outras fontes que não dependem de trabalho ativo no país.
O processo exige comprovação de renda mensal mínima equivalente ao SMN português e reserva financeira de pelo menos 12 meses desse valor em conta bancária em Portugal. Aposentadoria, aluguéis e dividendos podem ser combinados para atingir o valor exigido.
Se você vai levar família: +50% do SMN para cada adulto adicional e +30% do SMN para cada filho dependente.
Atenção à análise bancária: o consulado e a AIMA analisam os extratos com rigor. A origem de cada depósito precisa ser claramente identificável, qualquer incoerência pode resultar em recusa.
Acompanhamento Familiar: para quem vai junto com o titular
Se cônjuge, filhos ou outros dependentes vão se mudar para Portugal junto com você, eles podem solicitar o D8 de Acompanhamento Familiar ao mesmo tempo que você solicita o seu visto principal. Não é preciso esperar chegar a Portugal para depois trazer a família.
Aplicável a dependentes de titulares de D1, D2, D3, D7 e D9. Financeiramente: +50% do SMN para cada adulto acompanhante e +30% do SMN para cada criança, além do já exigido para o visto do titular.
Para nômades digitais
O D9 é para profissionais que trabalham remotamente para empresas ou clientes fora de Portugal. Se você tem emprego ou clientes no Brasil e quer morar em Portugal enquanto continua trabalhando para eles, este visto é o seu.
O requisito central é comprovar vínculo com entidades fora de Portugal, demonstrando que a atividade pode ser exercida totalmente à distância. Do ponto de vista financeiro, é necessário comprovar renda média mensal superior a 4 vezes o SMN (calculada com base nos últimos três meses), valor mais alto do que o exigido para outros vistos.
Como escolher o visto certo para o seu perfil
A pergunta que todo mundo deveria fazer antes de qualquer outra é: qual é a minha situação hoje?
Emprego formal ou cargo de gestão em empresa portuguesa
Vai abrir negócio, trabalhar por conta própria ou como liberal
Tech, engenharia, saúde, gestão ou docente universitário
Graduação, mestrado, doutoramento ou pesquisa científica
Aposentadoria, aluguel, dividendos ou outras rendas de fora
Trabalha remotamente para empresas ou clientes fora de Portugal
Cônjuge ou filhos que vão junto com o titular do visto principal
Já está residente em Portugal e quer trazer a família que ficou
Parece simples quando está listado assim. O problema é que muita gente se identifica com mais de um perfil, ou tem uma situação que não se encaixa perfeitamente em nenhuma das opções. Nesses casos, escolher errado pode custar meses de processo.
O que mudou em 2026 e por que isso importa
O pedido de visto agora precisa ser feito presencialmente na VFS Global, empresa credenciada pelo consulado português para receber os requerimentos no Brasil. Antes era possível enviar pelos Correios ou fazer ajustes depois. Agora, a documentação precisa estar completa e coerente desde o primeiro momento.
O consulado passou a analisar o processo como um conjunto. Renda, moradia, tipo de visto e documentos precisam contar a mesma história. Qualquer incoerência pode resultar em recusa sem possibilidade de correção.
Outra mudança relevante: o visto de procura de trabalho deixou de existir nos moldes anteriores a partir de outubro de 2025. A legislação prevê um novo visto para procura de trabalho qualificado, mas os requisitos específicos ainda não foram definidos. Quem planeja se mudar para buscar emprego precisa estar atento a essa mudança.
Pronto para dar o próximo passo?
O Simplifica Portugal guia você pelo fluxo do seu tipo de visto, valida seus documentos por inteligência artificial, gera os formulários e organiza cada etapa do processo.
Resumindo
Portugal tem vários tipos de visto de residência, cada um pensado para um perfil diferente. Entender qual deles se aplica à sua situação é o primeiro passo, e o mais importante, de todo o processo.
- D1: Trabalhadores contratados e gestores
- D2: Empreendedores, autônomos e profissionais liberais
- D3: Profissionais altamente qualificados e docentes universitários
- D4: Estudantes e investigadores
- D6: Reagrupamento familiar (para quem já está residente)
- D7: Aposentados e quem tem renda passiva
- D8: Acompanhamento familiar (família que vai junto)
- D9: Nômades digitais
Desde 2026, o processo exige documentação completa e coerente desde o início, apresentada presencialmente na VFS Global. Quer se aprofundar em algum visto específico? Temos artigos detalhados sobre cada modalidade aqui no blog.
